terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Em todas as ruas te encontro...



Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Poesia de Mário Cesariny



Vídeo: Rodrigo Leão (com Neil Hannon dos Divine Comedy)
Música: Cathy
Álbum: Mãe

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domingo, 13 de Dezembro de 2009

Fica Aqui e Agora...



Fica Aqui e Agora...

Não sigas o passado, não te percas no futuro. O passado não existe mais, o futuro ainda não chegou. Observando profundamente a vida como ela é, aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres.

Bhaddekaratta Sutta



Som e vídeo: Air
Música: Love
Álbum: Love 2

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sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Procuro...



Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu...

Alberto Caeiro

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Sentes a brisa?



"Sente quietamente, fazendo nada, a primavera vem, e a grama cresce por si mesma."

Dito Zen

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segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Não te apresses em acreditar...



Não te apresses em acreditar.
Não te apresses em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas.
Não te apresses em acreditar em nada só porque um professor famoso o disse.
Não acredites em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade.
Não acredites em mim.
Tu deverias testar qualquer coisa que as pessoas te dizem através de tua própria experiência, antes de aceitar ou rejeitar algo.
Não te apresses em acreditar...

Siddartha Gautama, o Buddha, Kalama Sutra 17:49



Vídeo e Som: Melodia para una noche mágica

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sábado, 28 de Novembro de 2009

Poema da necessidade

Como disse o maestro Tom Jobim, "é de mais, né...?!"

Tom lê "Poema da necessidade", de Carlos Drummond de Andrade.



- Poema da necessidade (Drummond)

É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer tudo.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o fim do mundo.

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quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Imaginem...

Depois de ler este artigo do saudoso Mário Crespo, eu imaginar até imagino. Agora acreditar, acreditar...

Imaginem, um artigo de Mário Crespo

Imaginem

(só menos 10% para os tais...!)

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.

Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.

Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.

Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.

Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que País podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que País seremos se não o fizermos.

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quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

A voz da terra

Escutar a voz da terra?
Tenho dias. Há dias que sim. Dias em que...
Sei o que me diz o vento quando sopra frio e glacial.
Sei o que disse a chuva que caiu de manhã e desapareceu à tarde.
Sei o que murmura o Sol quando se esconde atrás das nuvens cinzentas.
Sei o que diz a água quando corre, corre sem parar, mas sem pressa de chegar.
Tenho dias. Há dias que sim. Dias em que... sou a voz da terra.

Descobri entretanto que há mais quem escute a voz da terra...
Esta voz cativou-me sobremaneira, e com a sua voz fecho a noite.


"A voz da Terra"
A voz da Terra é rouca, mansa, surda, louca.
A voz da Terra é como se não fosse A voz da Terra.
A voz da Terra sussurra em capins ao vento, Ruge em tremores e estertores, Move-se no vívido silêncio dos mares, Sangra alegremente em riachos saltitantes.
A voz da Terra sai também de dentro de mim, Quando eu choro, quando eu gargalho, quando eu gozo, Porque sou filha da Terra, matéria reciclada em vida humana, Porque eu a trago no corpo e faço parte do corpo da Terra.
Por isso eu deixo que ela fale por mim e através de mim.
No delicado altar da Vida eu oferto a minha voz Porque o que mais quero, Aquilo que eu mais anseio, Meu mais essencial desejo é ser Simples e totalmente A voz da Terra.
-- Katia Pessanha



Vídeo e som: Caetano Veloso - Terra

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sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Secret garden...



poesia espontânea, e não pensada, fruto de um diálogo no facebook



[jac] Num jardim secreto de fábulas mágicas e fadas sensuais...

[mms] Reza a história que todos os viajantes que se perdiam no reino das fadas, perdiam a noção do tempo, entre banquetes majestosos e dias de amor com as mais belas fadas, o tempo passava fora do reino mas ali não.

Quando os viajantes decidiam a muito custo deixar para trás o riso das fadas e a leveza da floresta, davam-se conta que muitos anos tinham passado e muitos dos seus parentes tinham morrido.....

[jac] Reza ainda a lenda, que um tal homem que entrou, ainda jovem, perdido no jardim secreto de fábulas e fadas se enamorou pela mais bela das ninfas que habitavam esse reino onde o tempo caminhava em câmara lenta.

Dizem os antigos que tal homem, ainda hoje um jovem, continua a habitar nesse mundo encantado, não desejando nunca sair de perto da sua ninfa sedutora, que a todos encanta e que em tudo o que toca vira ouro.......

[mms] Mas a maior parte deseja voltar para o mundo imperfeito.
O homem não aguenta a felicidade muito tempo.

[jac] Gente muito antiga, mais antiga que a memória recorda, dizia ainda dessa lenda de certo homem que quis regressar... voltar a sentir frio e a ter medo. Voltar a sentir a solidão e a dor. Voltar a sentir a brisa gelada do Inverno e o sentimento de perda de um amor. Voltar a sentir o perfume da primavera e a chama incolor do amor... Voltar a sentir-se vivo e a reaprender a viver!

[mms] A felicidade não tem valor se for um sentimento permanente. Nada vale sem a perda do amor, sem a solidão, sem o medo, sem a incerteza.

E que mais é a felicidade senão uma soma de pequenos momentos ;-)

Pois que venha o frio para que depois sintamos verdadeiramente o toque aconchegante do calor..........

[jac] E assim se finda a lenda de certo homem que julgou encontrar a felicidade plena, longe das incertezas e infortúnios da vida, olvidando-se que são exactamente esses altos e baixos da jornada, que exaltam e proporcionam os verdadeiros prazeres da vida... THE END

[mms] PALMAS! Brindemos aos altos e baixos da jornada, que são o sal da vida.

[jac] Fim do último acto e cai o pano, que o sal da vida perdure pelos tempos fora!


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